Discipule della esperienza

"Todas as coisas tem a predisposição de unir-se ao todo, para escapar à sua própria imperfeição."
Leonardo Da Vinci

Minha foto
Nome:
Local: São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brazil

Como amante da sabedoria, sou um eterno buscador. Participo como voluntário da Nova Acrópole, escola de filosofia à maneira clássica, onde muitas coisas aprendi...

sexta-feira, maio 26, 2006

Sensus Communis


A skull sectioned
O que faz o homem questionar-se a respeito das coisas? Para onde vão as idéias? De onde surgem os pensamentos? Essas foram algumas das perguntas que levaram Da Vinci a buscar o sensus communis, a sede do julgamento. "O sensus communis é ativado pelo órgão da percepção (impressiva), situado a meio caminho entre este e os sentidos." Segundo o renomado pesquisador Michael Gelb, a percepção é capacidade de potencializar os sentidos de forma integrada, elevando o nível de consciência humana, o que Da Vinci fazia muito bem. Em seus estudos, o mestre coloca a percepção como uma ponte de acesso ao sensus communis, e complementa: "...as imagens das coisas ao redor são transmitidas aos sentidos que as trasmite ao órgão da percepção, e este por sua vez ao sensus communis, e por ele são impressas na memória onde permanecem enquanto forem lembradas...". Para Da Vinci, os sentidos eram os ministros da alma, e todo ser humano podia através deles, ativar a percepção e alcançar a sede do julgamento.

O sensus communis tem ainda o papel de animar o corpo: "...a articulação dos ossos obedece ao nervo, e o nervo ao músculo, e o músculo ao tendão, e o tendão ao sensus communis que é a sede da alma, sendo a memória o seu monitor...". O estudo associativo que Leonardo traz em seus tratados também é experimentado aqui, quando ele busca compreender o a essência da alma, e correlaciona todos os processos que levam do ato até seu ponto de origem.

Como para ele toda e qualquer causa tinha que ter por base a constatação, buscou em seus estudos de anatomia onde estaria situado o sensus communis. Num dos estudos (imagem em anexo), encontramos uma caveira seccionada ao centro, onde ele relaciona o ponto de intersecção das duas linhas ao ponto de localização do sensus communis. Com incrível exatidão, ele chega ao mesmo local onde está situada a glândula pineal, hoje considerada pela ciência como um órgão de funções transcendentes. René Descartes (século XVII) havia sido o primeiro, até Leonardo, a situar a glândula como sede da alma humana. Este mesmo órgão é relacionado pelos hindus ao terceiro olho, pelos tibetanos como um centro de projeção da consciência cósmica e pelos egípcios como o olho de hórus, ou aquele que concedia aos iniciados a faculdade da clarividência.

Talvez esta seja uma das chaves de interpretação simbólica da genialidade de Leonardo, sua capacidade de enxergar todas as coisas em profundidade e de uma forma comum, de perceber a alma dos seres e se conectar à sua causa primeira, de desconstruir os processos e compreender que toda parte tem a predisposição de unir-se ao todo, e entender os códigos que remontam a natureza da forma como a percebemos.

"Os nervos com seus músculos servem aos tendões assim como os soldados servem a um líder; e os tendões servem ao sensus communis como os líderes a um capitão; e o sensus communis serve à alma, como um capitão serve ao seu senhor." Leonardo Da Vinci

quinta-feira, abril 13, 2006

A arte de pintar


Study for Last Supper
Para Leonardo Da Vinci, o exercício da pintura representava muito mais do que a reprodução artística de uma forma. Pintar era um ato de comunhão com o divino, onde o artista buscava por inspiração, através da imaginação, alcançar o plano das idéias e por meio da técnica, dar-lhes uma forma estética.
Como o próprio mestre dizia, tudo aquilo que ele pintava era apenas um esboço daquilo que ele conseguia perceber em sua contemplação.

A palavra inspiração, vem do latim inspirare, que significa, introduzir ar. Sabemos pela tradição oriental que o ar é prana, energia que quando bem canalizada vitaliza o corpo e elucida a mente. Já imaginação, vem de imaginatione - imagem e visão. Platão em sua teoria das idéias conceituava a imaginação como a capacidade de encarnar arquétipos no plano sensível. Para Plotino, as imagens eram o meio pelo qual as idéias poderiam se expressar de forma mais pura e reluzente, uma vez que a mente do ser humano processa imagens e não palavras. A técnica neste processo seria o próprio Sfumato, condição alcançada pela vivência sagrada (corporalità) de cada momento. Por fim, a palavra estética, que vem do grego aisthésis, significa perceber e sentir (sensazione), capacidade do artista em representar as idéias em belas formas.

"Pintar é uma atividade que cobre todas as dez funções do olho, ou seja, escuridão, luz, corpo, cor, forma, localização, distância, proximidade, movimento e repouso." Para além das funções do olho, seria necessário ao artista também conhecimentos de anatomia: "...o pintor que tem conhecimento da natureza dos tendões, músculos e ligamentos saberá muito bem, no movimento de um membro, quantos e quais tendões são a causa de um movimento, e qual músculo, por inchaço, é a causa da contração desse tendão, e quais tendões expandidos na mais delicada cartilagem cercam e seguram o referido músculo...e não fará como muitos que mostram as mesmas coisas nos braços, costas, peitos e pernas." Nada a comentar...

Na imagem em anexo temos um estudo de Judas para a Última Ceia. Outra habilidade do mestre era a análise da fisionomia das pessoas. Ele passava horas por dia procurando rostos que manifestassem a personalidade de seus personagens, para representar além da estética, a intenção da alma.

Depois desta aula de pintura com o mestre, só nos cabe o exercício reflexivo e contemplativo perante à vida, para que possamos todos os dias, nem que seja por um minuto, perceber a natureza como se fosse uma obra de arte.

"Na pintura, as ações das figuras são sempre expressivas do propósito da mente." Leonardo Da Vinci

terça-feira, abril 04, 2006

Gênese das formas


Studies of Euclidean geometry
A matemática era a ciência pela qual Da Vinci buscava a constatação das coisas, e para ele, não existia certeza na natureza à qual não se pudesse aplicá-la. Já dizia o mestre: "Que nenhum homem que não seja matemático leia os elementos de minha obra". Assim como Pitágoras, Da Vinci percebia a matemática como a fundação geométrica que dava origem à forma e ao movimento da vida: "...se começarmos com a superfície de um corpo, descobriremos que ela deriva de linhas, as fronteiras da superfície...sabemos que a linha, por sua vez é delimitada por pontos, e que o ponto é a última unidade, menor do que a qual nada existe". Essa afirmação recorre à filosofia monista que defendia a origem comum de todas as coisas a partir de um elemento, neste caso, o ponto. Esse mesmo conceito já foi constatado pela nossa própria ciência, ao chegar ao átomo, como elemento constituinte de toda a matéria.

Para Leonardo Da Vinci, era essencial que o pintor tivesse conhecimentos de matemática para os estudos de perspectiva dos ambientes e proporções do corpo humano. Nos ateliês renascentistas para além da arte, se estudavam matemática, física, anatomia e toda a espécie de ciências que aproximassem o objeto criado do seu criador e inspirador, a natureza. Aqui, aplica-se o princípio de Conessione, onde toda a parte (as ciências) tem a predisposição de unir-se ao todo (as idéias) para escapar a sua própria imperfeição (a forma). Pois como diz a máxima de Pitágoras, o limitado dá forma ao ilimitado. Todos as partes se conjugam para dar forma ao todo.

Em relação à afirmação de Anaxágoras, contemporâneo de Pitágoras, de que a realidade pode ser reduzida a um número infinito de sementes, temos face à engenharia genética, que diz que uma cadeia de DNA possui todo o genoma humano. Conceitos como esse nos levam a um princípio comum, uma essência que está presente em tudo, da mesma forma como uma gota de água contém todo o oceano.

Na imagem em anexo, temos um estudo realizado por Da Vinci sobre o teorema de Pitágoras conforme a geometria Euclidiana. Para citar, Euclides é considerado como um dos grandes matemáticos da antiga Grécia, que escreveu diversas obras sobre a relação da geometria com a natureza das causas. Em um dos trechos de seu tratado de matemática, diz Da Vinci: "A geometria é infinita porque toda a quantidade contínua é divisível ao infinito em uma direção ou outra", logo, a matemática dentro de sua concepção não possui limites no campo da imaginação.

"Não existe uma certeza à qual não se possa aplicar qualquer uma das ciências matemáticas, tampouco as que sejam ligadas às tais ciências." Leonardo Da Vinci

terça-feira, março 28, 2006

Substância primordial


Vortices produced by a cascade
of water
A água é um dos temas mais abordados nos manuscritos de Leonardo Da Vinci. Ele explora os comportamentos, movimentos e humores dessa fantástica substância, que como sabemos, é responsável por mais de 70% da composição elemental do corpo humano. A sua fascinação era tamanha, que dedicou folhas e mais folhas de seu diário buscando compreender um pouco melhor este elemento, que como ele mesmo coloca, é o condutor da natureza.

Em uma das passagens de seu tratado sobre a água, Da Vinci comenta: "...o calor coloca a água em movimento, o frio a congela e a imobilidade a corrompe. Ela é a expansão e o humor de todos os corpos vitais. Sem ela, nada retém sua forma...ela assume todo odor, cor e sabor, e sozinha nada tem." Percebemos nestes trechos a relação complementar que a água tem com outros elementos, e como ela se conjuga com seu meio de forma a assumir o comportamento ambiente. Para Tales de Mileto, filósofo pré-socrático, "a água é o princípio de todas as coisas". Idéia que reforça este conceito, pois nada existe de forma absoluta, como já dizia Anaxágoras, seu discípulo. Em "Jogos de Maya", a filósofa Délia Steinberg Gúzman fala da relação complementar da água com o ar, das brisas que dão forma ao sutil movimento das ondas às vetanias que dão início à terríveis tempestades.

O poder de criação e destruição da água é outro assunto que desperta muito interesse em Da Vinci. Alguns de seus esboços sobre a natureza retratam o comportamento caótico da água em tempestades e no próprio dilúvio, outro tema que muito instiga o mestre. Sobre o dilúvio, ele questiona o fato pelo qual este tenha ocorrido na época de Noé: "...já que as coisas são muito mais antigas que as letras, não devemos admirar-nos de que em nossos dias não exista registro de como estes mares tomaram tantas nações".

Da Vinci também fala das ondas e a respeito disso, explora em muitos esboços o movimento que promove a água em cada situação. Na imagem em anexo, temos um dos seus estudos sobre os vórtices produzidos por cascatas de água e de como se configuram seus movimentos. Para o mestre, "uma onda nunca vem sozinha, mas em companhia de tantas outras ondas quantas forem as desigualdades nas margens em que ela é produzida".

Como não podia faltar, Da Vinci ainda compara o movimento da água com o dos cachos de cabelo, que segundo ele, teriam dois movimentos: "um depende do peso do cabelo e o outro, da direção do cacheado; assim, a água forma pequenas ondas rotatórias, uma parte seguindo o ímpeto da corrente principal e a outra seguindo o movimento incidental e o fluxo de retorno." Para além destas idéias, o mestre de forma muito precisa ainda explora outros tantos comportamentos desta surpreendente substância primordial.

"A água, que é o humor vital da máquina terrestre, move-se por seu próprio calor natural." Leonardo Da Vinci

terça-feira, março 21, 2006

Virtutem Forma Decorat


Beauty adorns virtue
A Beleza adorna a Virtude. Esta inscrição em latim é encontrada no reverso da pintura de Ginevra de Benci, e nos traz um pouco do espírito artístico florentino. É comum encontrar elementos simbólicos nas obras de Da Vinci. A expressão de suas pinturas vão além da representação estética e penetram num universo onde a beleza adorna a virtude.

Aristóteles em sua Ética, dizia que o exercício das virtudes é capaz de levar o homem à verdadeira felicidade, pois é próprio da alma agir de acordo com sua natureza. Segundo Platão, as virtudes residem no plano das idéias e tem o poder de elevar os homens à condição de deuses. Conforme Cícero, a virtude que há no homem é a mesma que há em Deus, que é a perfeita natureza elevada a seu grau supremo. Estes conceitos nos levam a compreender a virtude como mediadora entre o homem e Deus, uma forma de reivindicação do homem à sua própria natureza divina.

Plotino em suas Enéadas dizia que a beleza é uma condição inerente ao ser humano que pode ser potencializada pela prática das virtudes. Um ser humano virtuoso, por assim dizer, é belo. Segundo a teoria da emanação de Plotino, o homem percebe a beleza de forma mais completa ao passo que ele se torna mais virtuoso, mas não chega a alcançar o arquétipo, porque este é próprio da unidade, e o indivíduo, como sabemos, está subjugado à dualidade.

Temos então na máxima de Leonardo Da Vinci, estes dois termos conjugados, que em sua unidade nos levam ao que há de mais divino no ser humano. A beleza como uma propriedade da alma, que anima aquilo que está manifestado e a virtude, como exercício de alquimia interior que nos leva aos poucos à condição da própria beleza. Poderíamos comparar a virtude à ferramenta do ourives, que lapida aos poucos o diamante da beleza, tornando-o cada vez mais belo e inspirador. Mas não esqueçamos, como já dizia Pitágoras, o limitado dá forma ao ilimitado.

"Na natureza, não existe um efeito sem causa; compreenda a causa e você não terá necessidade do experimento." Leonardo Da Vinci

quinta-feira, março 09, 2006

Anunciação


Annunciation
Nesta obra que foi um dos primeiros trabalhos de Da Vinci, podemos ver a influência de seu mestre Verrochio na qualidade escultural das figuras assim como no comportamento dos personagens. É quando o discípulo se emancipa do seu mestre e parte a semear novas sementes, ainda mais frutivas nos corações de seus aprendizes. O estudo desta pintura é dedicado a mais um tema cristão, popular no período do Renascimento. A "Anunciação", sugere o momento em que a Virgem Maria recebe a mensagem do Arcanjo Miguel, sobre a sua concepção do menino Jesus.

A pintura é adornada com muitos elementos naturais minuciosamente desenhados, como as flores, símbolo da pureza da virgem e a paisagem, que parece se estender ao infinito, graças ao efeitos atmosféricos trabalhados através da luz. Ambos estudos são provenientes dos tratados de botânica e pintura, onde o mestre renascentista desconstrói cada elemento até percebê-los em tal profundidade que sua representação nos parece ir além da pintura.

Para Leonardo Da Vinci, além de ser necessário conhecer profundamente o objeto de estudo, era fundamental ter a imaginação como canal de inspiração e aproximação da realidade representada. Um velho jargão diz que a partir do momento que "temos" uma idéia, ela não pertence mais a nós. Já dizia Platão em sua teoria da idéia, todas as idéias provém do plano arquetípico, que é atemporal. Se considerarmos que tudo aquilo que é atemporal é permanente, e que as idéias estão para serem manifestadas, quem sabe não consigamos, ao contemplar a obra de Da Vinci nos transportamos até o momento do ato? Como dizia o mestre, aquilo que ele representava era apenas um esboço do que conseguia perceber no plano das ideias...

"O olho é a janela do corpo humano através da qual ele sente seu caminho e desfruta da beleza do mundo." Leonardo Da Vinci

terça-feira, março 07, 2006

A Última Ceia


The Last Supper
Poucas imagens vencem o tempo e se eternizam como símbolos. Uma delas é a representação da Última Ceia de Leonardo Da Vinci. Mais do que uma pintura, esta obra é um tratado sobre a natureza humana, pois consegue num único ato representar a pureza do uno e a impermanência do manifestado. A perfeita simetria de sua composição, distribui os 12 apóstolos em quatro grupos de tríades e Cristo como o elemento central. Se traçarmos duas diagonais, teremos como ponto de intersecção a fronte de Cristo, centro e ponto de fuga da composição, para onde todo o movimento converge.

Alguns estudiosos da área de astrologia remontam a obra, interpretando-a como o zodíaco, onde cada discípulo representaria um signo e Jesus o grande sol central. A transcendência da face de Cristo estabelece equilíbrio e centro a obra, enquanto os rostos e gestos dos discípulos parecem expressar, de forma condensada, todos os temperamentos humanos. É como se a obra fosse um código genético, da mesma natureza do símbolo, que ao ser desvelado nos revela a fonte de sua inspiração.

O ato ocorre no momento em que Jesus Cristo pronuncia "Um de vocês irá me trair". Leonardo através de um minucioso estudo de anatomia e proporção, registra a expressão de cada discípulo frente a esta pergunta. Os gestos dos apóstolos parecem se complementar simetricamente, se analisarmos a intenção velada por suas expressões. A harmonia conjuga todos elementos, prendendo-os em uma única trama, onde cada elemento prefigura o todo, como se fosse um único ser.

A obra é considerada hoje como uma das mais importantes representações artísticas, e é oficialmente utilizada pela igreja católica como referência a este sagrado ritual, que nos une espiritualmente a nosso princípio divino.

"Um bom pintor deve saber representar duas coisas, o personagem e a intenção de sua alma." Leonardo Da Vinci

segunda-feira, março 06, 2006

O Batismo de Cristo


Baptism of Christ
Quando falamos de Leonardo Da Vinci, não podemos esquecer que ele teve um mestre, Andrea del Verrochio, que o inciou na prática artística e lhe deu ferramentas para que pudesse expressar o que sentia. Todos os grandes homens da humanidade tiveram grandes mestres que aportaram com o canal da sabedoria. A relação dos mestres e discípulos tem o poder de estender o conhecimento até os primórdios de nossa história.

Os mestres nos indicam o caminho e servem como pontes que levam até as regiões mais recônditas de nosso ser. A diferença existente hoje entre professores e mestres é que enquanto um passa o mesmo conhecimento a vários, o outra forja a experiência em cada um. O mesmo serve para alunos e discípulos, enquanto um absorve o conhecimento, o outro vive na prática. Sócrates costumava dizer que as palavras escritas atrofiavam a mente, e por isso seus discípulos nada anotavam e precisavam colocar o conhecimento em prática para que este tivesse validade.

A obra em anexo foi o primeiro trabalho de destaque de Leonardo Da Vinci. Pintada por Andrea del Verrochio, este solicitou a Leonardo que a finalizasse pintando o anjo da esquerda. O resultado de seu trabalho foi tão impressionante que a partir daquele momento, Verrochio vendo ter sido superado por seu discípulo deixa a pintura. A partir deste momento ele se dedica mais a escultura, atividade que já realizava com destreza, pois já havia cumprido a missão de levar sua experiência adiante.

Este quadro reserva alguns elementos bem característicos de pinturas da época como os símbolos católicos, fazendo alusão aos princípios crísticos como o espírito santo que na imagem expulsa a pomba negra que se afasta, os anjos que seguram as vestimentas de Cristo, a cruz na mão de São João Batista como símbolo do sacrifício tendo um papiro enrolado com a inscrição: "Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo." Encontramos ainda um símbolo cabalístico, a árvore da vida, à esquerda, símbolo de vitalidade e ascensão espiritual.

"Pobre é o discípulo que não supera seu mestre." Leonardo Da Vinci

quinta-feira, março 02, 2006

Conessione: Realize a comunhão

The Virgin and child with
St Anne
Existe um ponto de conexão que conjuga todas as coisas e está presente em tudo. Desde a mais ínfima manifestação até a concepção mais sutil de vida. A vibração do átomo corresponde aos seus ciclos de nascimento, vida e morte, e milhões deles dão vida a uma célula. Da mesma forma, os ciclos de vida de bilhões de células dão vida a um ser humano, e bilhões de seres humanos ao planeta terra. Analogamente, a terra como elétron, tem o sol como núcleo e faz parte do sistema solar, como átomo. Voltamos ao ponto de origem. Esta é a mesma idéia do "Homem, conhece-te a ti mesmo, que tu conhecerás o universo e os deuses."

Erich Fromm, psicócolo alemão, na sua grande obra "A arte de amar", propõe o amor como este ponto de comunhão entre as pessoas, nesta passagem: "Amo em ti a todos, amo através de ti o mundo, amo a mim mesmo em ti." Plotino, como já citado aqui, sintetiza a mesma idéia em sua máxima: "Conjugai o que há de divino em vós, com o que há de divino no universo." A mesma idéia pode ser compreendida ao estudarmos o DNA, e chegarmos à conclusão de que cada cadeia possui todo o código genético humano, da mesma forma como uma gota d'água contém todo o oceano.

Leonardo Da Vinci via conexões entre todas as coisas, e a partir deste princípio que ele conseguia desconstruir qualquer mecanismo. Partindo do pressuposto que todas as coisas possuem um ponto de origem comum, ao interpretar este "código genético", ele conseguia remontar qualquer idéia. Sua capacidade de associação lhe permitia discorrer horas a respeito de qualquer idéia, pois ele partia da idéia comum, do princípio de conessione.

Na imagem em anexo, temos a pintura "A Virgem e o Menino com a Santa Ana." Esta obra nos mostra a virgem sentada no colo de Santa Ana, representando o afeto e comunhão com o divino. A virgem por sua vez está entregando o menino Jesus à terra, e este por sua vez tende seu movimento ao carneiro, símbolo do sacrifício. Os olhares se conectam em uma única linha, e a composição está em forma de um triângulo, ou tríade (pai, filho e espírito santo). O amor é a conessione mais evidente neste quadro cheio de simbolismos.

"Toda força vital vem do sol, uma vez que o calor existente nas criaturas vem da alma (centelha vital)." Leonardo Da Vinci

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Corporalità: Integre corpo, mente e espírito


Vitruvian Man
"Homem, conhece-te a ti mesmo e tu conhecerás o universo e os deuses". Esta frase, presente na entrada do Óraculo de Delfos na Grécia, nos revela uma chave de compreensão para os mistérios da natureza humana. A tradição clássica nos fala que o homem é uma extensão da obra divina, e como tal, possui elementos que estão presentes em toda sua composição. Ar, fogo, água e terra, somos um universo em miniatura. Jorge Angel Livraga, fundador da escola de filosofia à maneira clássica Nova Acrópole, em sua palestra sobre a Alquimia Interior falava que destes quatro elementos, o homem só conhece a terra contida em cada um deles. Que o conhecimento das demais composições é que dava aos alquimistas, o poder de transmutar a matéria.

Os hindus propõe que o homem é formado por sete corpos, sendo quatro inferiores relativos à personalidade (físico, vital, astral e mental), e três superiores referente ao nosso espírito (intuição, amor e vontade). Para os gregos esta constituição era ternária: soma (físico e vital), psique (astral e mental) e nous (tríade hindu). A doutrina hindu nos ensina que para o ser humano poder viver em plenitude com a tríade, é preciso harmonizar os quatro corpos inferiores.

Para Leonardo Da Vinci, era preciso integrar corpo, mente e espírito para alcançar as idéias. Para ele, viver de acordo com aquilo que se pensa era uma condição moral. Giorgio Vassari, seu biógrafo, dizia que por onde ele passava encantava a todos, pois refletia em seu comportamento, tudo aquilo que ele cultivava no espírito. O princípio de Corporalitá fala em incorporar nossas idéias e aspirações mais elevadas. Parafraseando o mestre, "toda a parte tem a predisposição de unir-se ao todo para escapar à sua própria imperfeição."

Na imagem em anexo, temos o famoso Homem Vitruviano, um dos desenhos mais representativos de Da Vinci, e que guarda uma série de relações e significados muito especiais. Além do estudo de proporção áurea, que abordarei com mais propriedade num futuro artigo, traz também a relação do micro e macrocosmo, como explorado no início deste texto. O homem circunscrito no quadrado é o "homo sapiens" e no círculo, o homem global. O ser humano é um universo menor, com as mesmas propriedades, porém em diferentes proporções. É preciso, como dizia Plotino, conjugar o que há de divino em nós, com o que há de divino no universo.

"Enquanto o homem tem dentro de si ossos como sustentação e estrutura para a carne, o mundo tem pedras que são o suporte da terra." Leonardo Da Vinci

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Arte/Scienza: Busque o equilíbrio


Mona Lisa (La Gioconda)
Vivemos numa sociedade que busca o excesso para evitar a carência. Mas a saturação e o vazio são condições que impedem a alma de alcançar sua plenitude, pois a constância não pode existir na instabilidade dos desejos da personalidade. A busca pelo equilíbrio foi o ponto de mutação que levou grandes grandes filósofos a desvelarem a causa do ser. Buda alcançou a iluminação após compreeder este princípio e pregou em sua doutrina o caminho do meio, ou seja, a dor como veículo de consciência. O TAO, antigo símbolo chinês, representa a dualidade de forma complementar: a luz termina quando começa a sombra, o masculino não pode existir sem o feminino, a consciência não evolui sem a dor.

O mesmo princípio é válido quando aplicado na formação de caráter de um indivíduo. Platão, em sua República, defendia o uso da música e da ginástica na educação de guerreiros. A música para inspirar a alma e a ginástica para formar o corpo. A falta da ginástica deixaria o homem excessivamente brando e a ausência da música, muito bruto. Neste sentido, a teoria e a prática também seguem o mesmo padrão de dualidade. A experiência só se torna completa quando temos a teoria fundamentada na prática, pois ela por si só nos condiciona a uma visão exclusiva do mundo.

Por isso que Leonardo Da Vinci se dizia discípulo da experiência. Para ele, toda a causa devia ser explorada por vários ângulos, e o registro em seu diário era uma prova disso. Todas suas anotações são acompanhadas por imagens que expandem a compreensão das idéias. Os estudos mais esotéricos da teosofia nos falam da necessidade de expressar as idéias por imagens, pois as palavras são muito limitadas em seu sentido de expressão. Da Vinci conseguia integrar abstração e lógica, teoria e prática, arte e ciência em todos os seus trabalhos.

Na imagem em anexo temos o retrato de Mona Lisa, uma das obras mais famosas do mestre renascentista. Este quadro representa o princípio da Arte e Ciência em ação. Além do estudo de proporção áurea, anatomia e sombra, Da Vinci consegue representar na expressão de Mona Lisa o ponto de mutação entre os princípios masculino e feminino, que guardam seu enigmático e polêmico sorriso. Buscar a integração dos opostos é saber lidar com os mistérios da luz e da escuridão, e o mestre sabia muito bem como representar isso.

"Estude a ciência da arte e a arte da ciência." Leonardo Da Vinci

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Sfumato: Enfrente a sombra


St John Baptist
A luz e a sombra são duas presenças constantes que acompanham o ser humano desde os primórdios da história. Muitos filósofos buscaram compreender a relação destas duas polaridades. Plotino, filósofo neoplatônico, defendia que o bem e o mal são complementares, que um começava onde o outro acabava, e que não existiam sombras, mas sim a ausência de luz.

Os princípios de sombra e luz sempre estiveram muito ligados à consciência humana, pois quando o homem age de acordo com o dever, de forma consciente, ele age na luz. Carl Jung, psiquiatra suíço, dizia: "a sombra é inconsciente". Krishna, em um trecho do tratado hindu Bhagavad Gita, instruía a Arjuna: "O conhecedor da verdade não permite a sombra do ganho pessoal atacar o caminho do dever". E falando de dever, defendia Immanuel Kant, filósofo alemão: "O ser humano deve agir pelo dever e não pela inclinação". Reunindo estes conceitos, temos que a sombra só se torna presente no ser humano, quando ele deixa de agir conforme o dever, o que o distancia de sua própria natureza.

Sfumato foi uma técnica desenvolvida por Leonardo Da Vinci, em que ele conseguia reproduzir com fidelidade a textura da pele humana, através de uma série de camadas de tinta que davam um efeito de esfumaçado. O mestre se aprofundava tanto no estudo de cada obra que entrava em comunhão com a natureza do objeto em estudo. Era quase um processo de decantação onde ele removia todas as impurezas de intençào para deixar passar somente a mais pura e bela manifestação da idéia. Talvez isso explique o profundo mistério que guarda cada obra sua. Como disse Plotino, antes de morrer: "Conjugai o que há de divino em vós, com o que há de divino no universo". Talvez tenha sido essa a chave de Da Vinci para alcançar profundo conhecimento em cada coisa, e trazer luz à tudo aquilo que ele fazia. O princípio do Sfumato significa trazer luz à nossa consciência através da excelência de cada uma de nossas ações.

Na imagem em anexo temos a representação de São João Batista, atualmente no Museu de Louvre, onde o mestre retrata a imagem emergindo das sombras em direção à luz. O movimento da mão de São João aos céus remete ao princípio divino das coisas, mesmo entando estabelecidas no plano da dualidade. É a batalha do homem em relação às suas sombras sem que este esqueça da sua proveniência divina.

"A sombra é a diminuição da luz."
Leonardo Da Vinci

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Sensazione: Estimule sua percepção


Drawing of the foetus in the
mother’s womb
A relação do ser humano com os sentidos, sempre foi tema de profundo estudo por parte de grandes filósofos da história. Platão, em sua teoria da idéia, falava da existência de dois planos, o arquetípico e o sensorial. A dimensão dos arquétipos seria o berço das idéias, relativo às aspirações da alma, e por isso era permanente, puro e uno. Já a dimensão dos sentidos, por ser um reflexo das idéias, era instável, efêmero e dual. A percepção, neste sentido, seria a capacidade de trazer as idéias do plano arquetípico para o sensorial, através do uso da imaginação. Desta forma, teríamos a percepção como um canal de acesso a idéias que escapam à nossa própria razão.

Aristóteles, discípulo de Platão, que tinha uma filosofia menos metafísica, defendia que o conhecimento tinha princípio nos sentidos, pois é através deles que temos nosso primeiro contato com o mundo. Para ele, toda definição científica partia de uma conhecimento que pudesse ser concebido pela razão. Já para os hindus, segundo fragmento do Livro dos Preceitos de Ouro, "...se queres chegar ao vale da felicidade, fecha, discípulo, os teus sentidos à grande e cruel heresia da separação...". Podemos relacionar este trecho, resgatado pela teósofa russa HPB, com a instabilidade do plano sensorial na teoria da idéia de Platão, onde a grande heresia da separatividade seria o reflexo das idéias, e por ser efêmeras que podem ser perigosas. Fechar os sentidos a isso é não se identificar com o efêmero e buscar a causa nas idéias através da percepção.

Para Leonardo Da Vinci, todo o conhecimento tinha origem em nossas percepções. O princípio de Sensazione nos fala em enriquecer nossas experiências através da transmutação das sensações. Não só ver, mas enxergar; não só ouvir, mas escutar; não só sentir, mas perceber. Da Vinci buscava integrar todos os sentidos para ampliar os horizontes de cada nova experiência. Ele usava sua percepção para chegar até o princípio das causas e nunca se satisfazia com aquilo que somente os seus sentidos pudessem lhe oferecer.

Na imagem em anexo temos um estudo do gênio renascentista sobre a anatomia do feto dentro do útero da mãe. A geração da vida era um dos eventos que o fascinava, e ele buscava em sua percepção, ferramentas que pudessem lhe aproximar dos mistérios da natureza. Os seus tratados de anatomia trazem estudos muito minuciosos sobre proporção e forma. Neste estudo em específico, Da Vinci analisa a posição do feto dentro da mãe, e seus apontamentos chegam em números que hoje competem com os mais avançados aparelhos de medição na área. Da mesma forma como ele percebia o movimento das asas dos pássaros e que só atualmente pode-se constatar com equipamentos de alta tecnologia. Nosso conhecimento, acaba sendo proporcional à percepção que podemos chegar a cerca das coisas.

"Os sentidos são da terra. A razão existe à parte, em contemplação." Leonardo Da Vinci

domingo, fevereiro 19, 2006

Dimostrazione: Aprenda com a experiência


Anatomical studies of the shoulder.

Os métodos convencionais de educação já não atendem às necessidades atuais dos alunos. Uma nova metodologia de ensino conhecida como educação quântica, já está sendo praticada na SuperCamp, universidade americana localizada na Califórnia. Lá o aluno aprende por descoberta, ou seja, dentro do mesmo espírito que levou Arquimedes a gritar Eureka! ao descobrir a diferença de densidade entre os metais ao mergulhá-los na água. Aprender com os próprios erros também é uma das predefinições desta proposta, o que retoma o conceito clássico do budismo que diz que a dor é veículo de consciência.

Percebemos que há um resgate de valores clássicos que voltam a orientar a educação para o norte da sabedoria. Sócrates, em sua oratória que acontecia nas praças da antiga Grécia, dizia que as palavras simplesmente escritas atrofiavam a mente, por isso seus discípulos nada anotavam e para lembrar daquilo que aprendiam era necessário vivê-lo na prática.

Leonardo Da Vinci no seu princípio de Dimostrazione, nos fala do compromisso de submeter o conhecimento ao teste da experiência e de se aprender com os próprios erros. No seu tratado sobre a verdadeira ciência, ele contesta a autoridade dos cientistas sobre o conhecimento destituído da prática, e diz que esse é apenas um reflexo da idéia, como um espelho, um tem substância e o outro nada é.

Na imagem em anexo temos um dos estudos do gênio renascentista sobre a anatomia dos ombros. Para ele, o artista tinha que compreender profundamente o objeto de seu estudo antes de buscar reproduzí-lo. Se o pintor que não tivesse conhecimentos de anatomia, pintaria seres humanos como se fossem bonecos de pano. A constatação pela experiência que permitiu a Da Vinci chegar a tantos insights e conexões como apresentados em suas obras.

"A experiência nunca erra; é só o julgamento que erra em prometer a si mesmo resultados que não são causados por nossos experimentos." Leonardo Da Vinci

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Curiosità: Instigue sua curiosidade


Codex on the flight of birds.
Todo ser humano é curioso, quer dizer, filósofo por natureza. Quando nos perguntamos sobre algo, já estamos praticando filosofia. Já dizia Roger Bacon, filósofo inglês que dava ênfase ao empirismo, "Quando a curiosidade se satisfaz, o conhecimento deixa de evoluir". A curiosidade é o motor do saber humano, e para Leonardo Da Vinci, cada situação na vida era uma nova oportunidade de aprendizado.

Segundo Michael Gelb, Da Vinci preservava o espírito infantil que levava a criança a questionar sobre tudo e perceber cada movimento como um novo fenômeno da natureza. Para o mestre, cada situação precisava ser vista de pelo menos três pontos de vista diferentes até se chegar a uma conclusão. Essa é uma das principais virtudes do filósofo, a investigação, e esse mesmo espírito que levava Sócrates em seu tempo a ter um conhecimento ilimitado das coisas. Para ele, nada possuia um conceito absoluto, e todas as coisas eram mistérios permanentes da natureza, a ponto de sempre podermos aprender um pouco mais sobre tudo.

Na imagem em anexo está o estudo para o vôo dos pássaros, atualmente na Biblioteca Real, em Madri. Neste esboço, Da Vinci explora, através de sua insaciável curiosidade, o movimento dos pássaros em relação ao vento, analisando questões de aerodinâmica e física. Algumas anotações de seu diário levam a tão minuncioso estudo, que somente há alguns anos atrás conseguiu se chegar à mesma observação, através da amostragens de máquinas fotográficas de altíssima velocidade. Esta análise deu princípio ao estudo da asa mecânica, onde ele procura reproduzir o mecanismo das asas dos pássaros.

"O olho, que é chamado a janela da alma, é o principal meio pelo qual a compreensão pode mais plena e abundantemente apreciar as infinitas obras da natureza." Leonardo Da Vinci

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Os 7 princípios


Michael Gelb
Antes de começar a falar da obra de Leonardo Da Vinci, não posso deixar de citar um dos maiores pesquisadores sobre o assunto, Michael Gelb. Sua obra "Aprenda a pensar como Leonardo Da Vinci" é fruto de anos de profunda pesquisa das obras do mestre renascentista. Particularmente, foi quem me instigou a querer saber mais sobre o assunto, e posso garantir, tem sido uma aventura e tanto.

Gelb, em sua publicação, fala de sete princípios que orientaram a vida de Leonardo Da Vinci: Curiosità, Dimostrazione, Sensazione, Sfumato, Arte/Scienza, Corporalità e Connessione.

Nas próximas postagens irei explorar cada um deles, traçando paralelos com o pensamento da tradição oriental e ocidental. Um exercício que vai nos levar a uma compreensão mais profunda da obra de Da Vinci e nos ajudar a desvendar os símbolos e mistérios que envolvem o seu legado artístico e científico.

"Nunca imites ninguém. Que a tua produção seja como um novo fenômeno da natureza." Leonardo Da Vinci

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Leonardo Da Vinci


Leonardo Da Vinci

Discipule della esperienza. Esse era Leonardo Da Vinci, considerado um dos maiores gênios que já se teve conhecimento. Além da pintura, possuia aptidões nas áreas de geometria, música, física, hidráulica, mecânica, arquitetura, botânica, engenharia militar, anatomia, gastronomia, para citar as principais. Era um legítimo discípulo da experiência. Todo seu legado científico, deixado em milhares de páginas de seu diário de vida, nos convida a retomar a curiosidade pelas simples coisas da vida. Em reacender a chama da filosofia, a mesma que fez Sócrates, considerado o homem mais sábio da antiga Grécia, a questionar sobre tudo e sobre todos, e a dizer antes de morrer: "Só sei que nada sei". Da Vinci, em sua época, perguntou "Será que fiz o suficiente?".

O que será que move o homem à busca do saber? Qual o sentido de nossa existência? Acreditamos em nosso potencial? Para Michael Gelb, um dos maiores estudiosos contemporâneos de Leonardo Da Vinci, todos nós quando nascemos, somos potencialmente gênios, o que acontece é que ao longo do tempo somos desacreditados disso e voltamos a cair na medíocre condição de subsistência.

É esse espírito que vem evocar o endereço deste Blog: Educire, de origem latina, siginifica aquilo que se aprende por remiscência. Platão, em sua República falava que o ser humano é divino por natureza, mas por acreditar na heresia da separatividade, começou a perder aos poucos sua condição divina, entretanto, podemos através da edução (educire), se relembrar quem somos e reivindicar nossa posição perante à natureza.

O objetivo deste blog é fazer uma viagem no tempo até a Florença do século XIV, berço do renascimento, através de um estudo filosófico detalhado sobre Leonardo Da Vinci, explorando o mistério de suas pinturas, o simbolismo de seus desenhos e a riqueza de experiências apresentadas nas folhas de seu diário.

"Todo o nosso conhecimento tem sua origem em nossas percepções."
Leonardo Da Vinci